Canetas emagrecedoras terão rival? Nem Ozempic, nem Mounjaro: novo comprimido para emagrecer já movimenta expectativa no Brasil

 





A promessa de emagrecer sem agulhas pode estar mais próxima. O orforglipron, medicamento oral da mesma família das canetas emagrecedoras, surge como uma das grandes apostas da indústria farmacêutica para os próximos anos. Ainda em fase de estudos e aprovação, o remédio já desperta interesse por trazer uma alternativa em comprimido aos tratamentos à base de GLP-1, hoje dominados por aplicações injetáveis como Ozempic e Mounjaro.

A nutricionista Marina Gusmão explica que a principal novidade está justamente na praticidade. “Ele é da mesma linha dos agonistas de GLP-1, mas com um diferencial importante: é via oral, em comprimido. Isso muda muito a adesão, porque muita gente ainda tem resistência às canetas”, afirma.

Apesar da expectativa, o medicamento ainda não tem data oficial para chegar ao Brasil. A previsão do mercado é que o produto comece a aparecer nos próximos anos, dependendo da conclusão dos estudos e das aprovações regulatórias.


Comprimido não significa resultado maior

Mesmo com a novidade, especialistas alertam que o comprimido não deve superar, pelo menos por enquanto, os resultados das canetas injetáveis.

Segundo Marina Gusmão, os medicamentos aplicados continuam sendo considerados o “padrão ouro” do emagrecimento medicamentoso.

“O grande diferencial do orforglipron é a praticidade e a maior aceitação pelos pacientes. Mas isso não significa necessariamente que ele será mais eficaz que as canetas”, explica.

Ela destaca que o tratamento da obesidade também mudou de foco nos últimos anos. A discussão deixou de ser apenas sobre o remédio e passou a envolver estratégia alimentar e comportamento.

“Hoje a gente entende que não é só aplicar e esperar resultado. Precisa de estratégia nutricional, ajuste de proteína, rotina alimentar e mudança de comportamento”, diz.


Retatrutida é a nova aposta do mercado

Outro medicamento que vem movimentando o setor é a retatrutida, considerada uma das drogas mais promissoras em desenvolvimento para perda de peso.

A substância atua simultaneamente em três hormônios ligados ao controle da fome e do metabolismo: GLP-1, GIP e glucagon. Nos estudos iniciais, os resultados chamaram atenção pelo potencial de emagrecimento ainda maior do que os tratamentos atuais.

Apesar da expectativa, a medicação também ainda não está disponível no Brasil. A previsão extraoficial é que ela possa chegar entre o fim deste ano e o próximo.


Erros comuns podem aumentar efeitos colaterais

Com a popularização das canetas emagrecedoras, especialistas também fazem alertas sobre o uso indiscriminado dos medicamentos.

Entre os principais erros estão usar sem acompanhamento profissional, ficar longos períodos sem comer, reduzir exageradamente a alimentação, negligenciar proteína e hidratação e alterar doses por conta própria.

“Isso aumenta muito os efeitos colaterais e prejudica o resultado”, alerta Marina.


Bariátrica pode potencializar efeitos do Mounjaro

Pacientes que passaram por cirurgia bariátrica também costumam apresentar respostas mais rápidas ao uso do Mounjaro. Segundo a nutricionista, isso acontece porque o organismo já passou por mudanças hormonais e estruturais importantes após a cirurgia.

“A bariátrica já reduz a capacidade gástrica, altera hormônios ligados à fome e diminui naturalmente a ingestão alimentar. Quando entra o Mounjaro, ele potencializa um ambiente que já está preparado para emagrecer”, explica.

Para a especialista, o sucesso do tratamento não depende apenas da medicação.

“No final das contas, não é sobre a caneta. É sobre como você usa ela dentro de uma estratégia. Porque sem isso, nem a melhor medicação do mundo sustenta resultado”, conclui.

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