*César Ribeiro Lima
É bem verdade que a hiperconectividade dos dias atuais trouxe avanços que não podem ser negados, encurtou as distâncias e abriu caminho para o acesso ao conhecimento. Mas também criou uma disputa forte pela atenção.
Talvez o maior risco não seja deixar de ouvir os outros, mas deixar de perceber que já não se ouve a própria voz. Cada alerta na tela corta um raciocínio, cada imagem nova chama para o próximo estímulo. A mente fica ocupada, mas nem sempre está presente no momento
Quando a mente está sempre ocupada, perde-se a chance de viver o agora. Muitas pessoas registram um determinado momento para provar que estão vivendo a vida, mas acabam não vivendo de verdade aquele momento.
Nesse cenário, o silêncio não é visto como um espaço que pode ser aproveitado. O silêncio é visto como falta, como improdutividade, como tédio ou solidão. Mas é justamente no silêncio que se pode recuperar profundidade de pensamentos.
Entretanto, o silêncio não é isolamento. Ele é um intervalo que as emoções precisam para se reconhecer. Um intervalo que as ideias precisam para amadurecer. Um intervalo que as escolhas precisam para deixar de ser apenas reações automáticas.
Conectar-se de verdade consigo mesmo antes de dormir é uma prática que pode abrir espaço para as intuições, muitas vezes ligadas ao plano espiritual e permitir que sejam ouvidas.
Há momentos na vida das pessoas em que o tempo pode parecer silencioso e escondido, como uma vela protegendo uma chama. Porém, é nesse silêncio que as respostas podem aparecer.
Os acontecimentos que mudam a vida chegam quase sempre sem fazer barulho. Normalmente, é só quando o mundo abaixa o som que se pode notar com mais clareza um perdão, uma decisão importante, a percepção de um erro, o nascimento de uma esperança, o florescer de uma ideia ou a compreensão de uma perda.
As respostas que fazem diferença na vida das pessoas não gostam de pressa. O cérebro humano paga um preço alto ao ter que processar um fluxo de estímulos que não para. Quando tudo pede atenção ao mesmo tempo, a atenção deixa de pertencer a quem a possui.
O excesso de conexões produz um paradoxo inquietante: estar conectado a tudo e, ao mesmo tempo, desconectado de si mesmo.
*César Ribeiro Lima é engenheiro mecânico e autor de “Velatempo - Atento aos Sinais”, obra de realismo mágico que reflete sobre os entralaçamentos do destino.
Com informações de LC - Agência de Comunicação

