Entender um pouco como é o funcionamento do
câmbio do seu veículo ajuda a sair de possíveis enrascadas mecânicas
Goiás, fevereiro de 2022 – Que o câmbio automático se popularizou no Brasil, isso é
um fato. Hoje, mais de 53% dos modelos produzidos no país já oferecem a opção
com a transmissão sem o pedal da embreagem. Mais complexo do que o modelo
manual, o componente que não exige a troca das marchas por meio de uma alavanca
utiliza um conjunto de engrenagens planetárias, onde uma única peça trabalha
aliada a um conversor de torque, componente responsável por acoplar o motor à
caixa de transmissão, fazendo o mesmo papel da embreagem, no caso dos câmbios
manuais.
De acordo com o coordenador do curso de Engenharia Mecânica
da Anhanguera, Jads Victor Paiva dos Santos, no Brasil os modelos mais comuns
são os automatizados, CVT (Transmissão Continuamente Variável) e automático
tradicional. “Os câmbios automatizados são compostos por um sistema eletrônico,
responsável pelo acionamento da embreagem. Esse mesmo sistema analisa a velocidade
e a rotação do veículo, ocorrendo então as trocas automáticas devido aos
sensores hidráulicos. Para fazer uma comparação, é como se um robô fizesse a
troca das marchas do veículo. Já no CVT, há estrutura de correia e polia, o que
se assemelha a um sistema de uma moto só que sem marcha. No CVT não há seleção
de velocidades, e por isso, oferece respostas mais rápidas em comparação aos
outros sistemas” esclarece o docente.
O modelo mais em alta do mercado é o automático de dupla
embreagem. Diferente do automático tradicional, ele usa duas embreagens. Ou
seja, um disco de embreagem maior aciona as marchas pares e a marcha à ré,
enquanto o outro menor fica responsável pelas ímpares. Com isso, enquanto uma
marcha está engatada, a próxima já está pronta para entrar em ação. Maior
velocidade nas trocas se comparado com o automático convencional.
“Todos os sistemas têm vantagens e desvantagens. O usuário
deve analisar qual atender melhor suas necessidades. Algumas delas são mais
conhecidas por equiparem determinados modelos de carros, mas em geral, os
cuidados para cada uma delas é muito semelhante”, conclui o professor.
Para não cair em enrascada com o seu automóvel automático, o
engenheiro recomenda cinco passos:
1. Fique atento sobre a troca do lubrificante.
Independentemente do que os fabricantes recomendam, verifique no máximo a cada
30 mil km rodados (com fluido mineral) e, para os sintéticos, até 50 mil km. Se
o lubrificante já estiver escuro, é sinal de contaminação e de que já perdeu
suas propriedades.
2. Carro automático não morre. Suspeite se ele estiver
parecendo estar fora do ponto ou transmitindo trepidações.
3. Veja se o líquido de arrefecimento do motor ou o nível da
água do radiador está em ordem, pois além de refrigerar o motor ele também é
responsável por manter a temperatura do fluido da transmissão automática. Se o
motor entrar em aquecimento, o câmbio também superaquece e tem os seus
componentes avariados.
4. Lembre-se: quase todas as transmissões automáticas contam
com um filtro ou uma tela. É muito importante que ela seja lavada ou trocada
quando se substitui o fluido da transmissão.
5. Por fim, os mesmos cuidados indicados para os modelos
manuais, também se aplicam aos automáticos. Tentar arrancar a toda a hora,
usando o pé esquerdo para frear e o direito para acelerar ao mesmo tempo faz o
conjunto trabalhar muito quente. Deixar a transmissão atuar suavemente aumenta
a vida útil de todo o sistema.
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